25.9.15


A minha ausência tornou-se um grande problema dentro de mim. Continuo a repelir todas as personagens da minha vida e tornei-me numa alma perdida. Ainda não me encontrei em nenhuma página e sinto-me afastada do mundo. Continuo sem controlar as minhas emoções e os meus impulsos continuam a mudar o rumo desta história. Quanto mais tento alcançar, mais barreiras se penetram nos poros do meu corpo. Não há nada que ninguém possa fazer e isso assusta-me. O coração já fraco de lutar ainda tenta respirar fundo mas já não me sinto. Sinto-me em metade. E estas memórias e vivências são a única certeza de que algum dia fui completa.



9.11.14

Existe em mim um pequeno receio de sentir aquilo que não sinto. Ou aquilo que fingo não sentir. Desta vida já nada mais espero, apenas sento-me e desespero pelo inesperado. Já me afundei no abismo mil e trezentas vezes e não gosto. É frio e escuro lá em baixo. Ou lá e cima. E por onde andei, encontrei alguém mais enterrado que eu, e então calei-me. Nunca teria pensado sobre isto até à altura. Deste lado consigo ver rostos sem sentidos e almas vazias. Receio sentir aquilo que não sinto. Aquilo que observo do outro lado da lua, e me consome a vista de tanta mágoa profunda existente em corpos fracos e estilhaçados. E cega. Por fim acabo por perceber que o que me mata não é aquilo que vejo, mas sim o medo de não ver. De não sentir, nem amar. É uma cegueira constante, que me abala e retira todos os movimentos espontâneos que o meu corpo ainda consegue transmitir fraca e estranhamente. Até que de todos os monstros calados e sérios que voam sobre mim, surgiu um pacemaker para o meu coração. O medo de não ver sumiu com o vento, e este por sua vez trouxe rajadas calorosas para o meu pequeno corpo. Aquele pedaço de história que fiz questão de fechar, reabriu-se em mim como um fôlego e desejo constante, que me aviva a memória e reanima o meu pequeno músculo.   
Leva-me daqui e tira-me do abismo. Leva-me para bem longe do que alguma vez eu poderei encontrar, até porque não gosto de me perder sozinha.


14.10.14


Nunca gostei de funcionar com almas mortas, apesar de nos últimos tempos deambular por entre elas. Apesar de ainda não perceber o porquê deste gosto pelo abismo, penso que ainda não pisei a linha e me encontro mais segura e consciente. Encontrei o equilibrio mais desequilibrado que conheci. E por mais estranho que pareca, é a unica peça que encaixa bem no meu corpo. A última peça que faltava para me sentir em mim e descontroladamente tentada. Consome-me aos pedaços e deixa-me explodir sem tentações. Apetece-me devorar-te.

29.7.14

Sinto a percorrer em mim algo que já não sentia a algum tempo. Mistura-se o quente com o frio, e sai de mim algo que não consigo explicar. Não sei se é frustação ou desilusão, mas sei que existe um misto que me consome todos os pedaços do meu corpo. Algo aqui mexe comigo e tira-me da orbita mal feita que já existia na minha vida..mas desta vez arruina tudo o que resta de mim. E eu, fraca e sem sentidos, deixo-me levar pelo vento e pelo cansaço, mas desta vez sem dança.
Agora sou só eu, quase sem corpo também, e umas boas toneladas de droga que me ajudam a viver na ilusão e enfrentar os demónios que pisam o meu caminho.
O problema é meu e de mais ninguém, e com isto retiro-me durante algum tempo. Não que eu queira mas preciso. Preciso de me procurar.



22.7.14


Encontro-me num estado de profunda abolição do meu ser. Sinto que não sinto e finjo que sinto para que ninguém se apodere de mim. E o querer sentir consegue sem inferior ao que a vida arrasta do meu pequeno corpo. Provavelmente deveria afundar-me discretamente e aos poucos. Provavelmente o problema está comigo, quando me esqueco que tudo o que me envolve apenas dá rumo à minha história. Não é que eu dependa, mas preciso, e isto dá cabo de mim sam. Não consigo respirar fundo e abrir-me completamente, porque essa já não sou eu. Sinto a minha cabeça perdida num turbilhão de sentimentos e confusões que afastam todas as personagens importantes da minha vida. Provavelmente a culpa é de eu sentir e não pensar. Se calhar misturo o meu pensamento com o coração.. mas sabes? cargas positivas repelem-se. Ou então já não sei o significado das palavras nem me mim mesma. Mas eu tento encontrar-me, juro. O problema é eu estar escondida no abismo e não ter forças para nadar para me encontrar. Só me consigo afogar em mágoas e tabaco. E enquanto estes me mantiveram de pé, não necessito de encontrar o resta de mim.
Não te tenho afastado, só quero que isto estabilize. Assim como quero que essa tua cabecinha estabilize também. Não te quero ver mal sam, preciso das tuas pequenas grandes forças que tens desse outro lado da lua, lembraste? Essas vão estar sempre contigo, apesar de as vezes achares que não, eu sei que continuas forte e de cabeça firme. Tenho a certeza que o sol que tens ai em cima não gosta que apagues essa tua luzinha tão forte que tens no coração. 

21.7.14

Não sei quanto tempo estive acordada a observar-te. Quantas vezes susurrei o amor que sinto por ti enquanto respiravas fundo, e imaginava todos os pecados que cometemos juntos. Quando te perdias em mim e eu em ti, e acabavamos por nos perder completamente. De todas as vezes que me ia abaixo e te sentia de cabeça bem assente para resolver os meus problemas. 
E aquela chama que se acendeu novamente entre nós, afastava todo o mal que sentia dentro do meu corpo. Toda aquela fragilidade desapareceu contigo quando decidiste reaparecer na minha vida. Não sei quanto tempo vais aguentar, mas não fujas por favor. Foste o que sempre deixou algo em mim incompleto, por isso agarra-te, nunca é tarde de mais para cometer loucuras.